sexta-feira, 27 de abril de 2012

Paulão, um soldado do povo


Nessa sexta-feira, 27 de abril, o meu despertar foi muito triste com a notícia da tragédia que envolveu colegas e amigos jornalistas, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas da Rede Bandeirantes, Record e RBS.
Às 6h30min, como eu faço todos os dias, desci as escadas da minha casa e fui até o hall de entrada, apaguei as luzes do jardim, abri a porta. Fazia frio e o céu estava cinza escuro. Recolhi os jornais e fui para a cozinha tomar meu café da manhã.
Sempre deixo tudo pronto de véspera, ficando só o leite para aquecer e o pão para tostar na hora. Então, eu me sentei na mesa antiga e grande - própria para ler jornais de todos os tamanhos, sem tirar o espaço de nada. Logo, liguei o rádio, que sempre está ali, pronto para me informar dos acontecimentos do dia. Dessa vez, ao fazer isso, fiquei petrificada quando escutei o Rogério Mendelski contar do acidente na RS 122, em Farroupilha, na chamada curva da morte, que tirou a vida do Paulão e do Ezequiel.
Rodei o dial para outras rádios e na Gaúcha e na Bandeirantes era só o que se falava; o Macedo e o Osíris informavam da tragédia que enlutava imprensa e a comunidade gaúcha.
Olha, eu confesso que não sei o que dizer, pois tudo fica pouco e pequeno perto da dor da perda dessas pessoas. Estou triste, muito triste pela morte de dois colegas. Eu conhecia o Paulão há vinte anos.
O amor pela segurança pública e o interesse pelos policiais, suas vidas em risco e inúmeras dificuldades eram as causas em comum que nos aproximaram. Ele era um soldado do bem, que falava a voz do povo. Conhecia profundamente a violência das vilas de Porto alegre e fazia um jornalismo policial imbatível.
O Paulão ajudava a Polícia Civil e a Brigada Militar. Trabalhava com seu fiel escudeiro, o cinegrafista, Ezequiel Barbosa.
Nunca conheci uma dupla de profissionais da comunicação com tanta sintonia como Paulão e Ezequiel. Me atrevo a dizer que eles serão insubstituíveis.
Paulão era uma criatura rara por sua maneira humilde, franca, espontânea e afetuosa de expressar sentimentos. Ele foi um amigo que incentivou e torceu muito pela minha caminhada política. Lembro das vezes em que o encontrava entrevistando alguém e sempre dava um jeito de me anunciar com um carinho tão grande que eu, emocionada, mandava um beijo assoprado ao qual ele fazia o gesto de guardar no coração. O Paulão me chamava de coronel de saias e quando via eu e meu pai juntos, falava: “lá vem a bela e a fera”.
Vou sentir muito falta deles.

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