sexta-feira, 14 de julho de 2017

Uma rua chamada Maria Lídia Magliani


Quero falar da minha satisfação e alegria de ter a oportunidade de homenagear uma grande artista plástica gaúcha. Para mim é um orgulho concretizar um projeto que destaca uma personalidade tão especial e importante da nossa comunidade cultural.
Em breve, Porto Alegre terá a Rua Maria Lídia Magliani, pintora gaucha.
Esta conquista nasceu da vontade e da determinação do marchand Renato Rosa, amigo de longa data, que há muitos anos mora e trabalha no Rio, mas que mantém um forte vínculo com Porto Alegre, vindo frequentemente à Capital, realizando curadorias, trazendo projetos e participando das principais agendas das artes plásticas.
Ao receber o Renato para uma primeira conversa, depois de ouví-lo falar da vida e da obra de Magliani, me propus a assumir esta causa e estabelecemos uma frutífera parceria.
Fui secretária da Cultura do RS e quando comecei minha gestão deixei claro que eu não era da área, mas que estava ali para aprender e trabalhar pelo bem da cultura. Ao deixar a pasta, nunca mais me afastei de promover a valorização das artes e seus segmentos, que lá pude conhecer a fundo.
O Renato já vinha querendo divulgar a nossa boa notícia e esta semana fez uma postagem maravilhosa nas suas redes sociais, contando o processo desde o início, o que me deixou muito feliz e me fez sentir que acertei ao assumir a tarefa como vereadora de Porto Alegre e também, como ex- secretária da Cultura.
Compartilho aqui o texto espirituoso e motivador do querido Renato Rosa:


Essa rua agora tem...uma dona!!!
Há um breve espaço de tempo atrás, procurei uma velha raposa 
amiga e do meio político (da esquerda antiga, comunista, figura destacada de antes de 1964) para pedir-lhe um conselho. Uma certa ideia rondava a minha mente e como sempre tenho um projeto novo, lá me fui em busca de um socorro. Expliquei a minha necessidade da hora, já que não gosto de fazer nunca nada sozinho, muito embora assuma minhas responsabilidades em todos os meus atos.
Buscava meios de concretizar o nome da pintora Magliani.
Gostaria que ela, essa irmã querida da vida, não fosse esquecida e a meu ver o melhor meio seria dar-lhe o nome a alguma rua de Porto Alegre.
Mas, eu não domino os meandros do meio e aí a figura conselheira me diz, literalmente o seguinte: "Renato, seja objetivo nessa missão, procure alguém identificado com a direita, com perfil conservador, mas de espírito aberto!!!!”. Com o pessoal de esquerda, vão enrolar e não vai sair!!".
Ele fora categórico. Espantado, pensei na hora...Morando fora há quase vinte anos, estava afastado do que rolava na cidade, logo, me ralei.
Imediatamente após, almoço com uma dedicada e discreta amiga, comento sobre esse perfil e ela, de estalo, cita um nome: Mônica Leal. Ora, até achei que seria fácil, pois sou amigo há longa data dos irmãos da vereadora e de seus primos, mas não ousaria dar esse passo. E a amiga pega seu celular e em ato contínuo, telefona para a vereadora e trata de marcar uma entrevista para mim, e a partir disso, tudo sucedeu-se numa velocidade espantosa.
Já no primeiro encontro expliquei TUDO para a vereadora, tracei o perfil político da artista, sua luta nos anos 60 fazendo teatro de participações esquerdistas sem disfarces (eu também era da mesma troupe...) e ela ouvia tudo atentamente. Ao final da narrativa dos meus motivos, ela disse: "Renato Rosa, é muito bonita a história pessoal dessa artista. Vou assumir esse trabalho. Vamos fazer essa campanha, sim!!".
Genial!!! Ela havia passado por cima de toda e qualquer barreira de coloração política e reconhecera o valor da trajetória da Magliani. Agora, o resultado, está aí. Em, pouco mais de um ano temos à vista a inauguração da Rua Maria Lídia Magliani, pintora gaúcha. Será na Zona Sul de Porto Alegre.

Só posso agradecer ao alto espírito e visão da vereadora Mônica Leal, mas sem esquecer a amiga Maryur Silber lá naquele dia de nosso almoço e seu miraculoso celular. A velha raposa que inicialmente consultei, pediu que lhe reservasse o nome, é um amigo de adoráveis cinquenta anos. 
E, plagiando outra grande mulher, afirmo: MAGLIANI VIVE!!!!!!!!

Renato montando uma exposição de Magliani

Magliani jovem em meio a seus quadros

Pintura de Magliani nos anos 80

Com o Renato na nossa última reunião





Um comentário:

  1. Minha sempre gratidão Mônica, és um espírito raro em momento de descrença política que o Brasil atravessa. A arte nos ajuda a sermos mais otimistas, esperançosos, e Magliani, nos deixa um legado humanístico de alta qualidade artística. Grato pela confiança na tarefa e por te-la abraçado e compreendido. Grande abraço.

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