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quarta-feira, 29 de abril de 2015

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Contra os nomes da oposição

Retirada de homenagens a militares é "caça às bruxas", diz Mônica Leal

Vereadora do PP prega a retirada de denominações de bens públicos de Porto Alegre ligadas a subversivos durante o período militar

27/04/2015 | 12h14
Retirada de homenagens a militares é "caça às bruxas", diz Mônica Leal Leonardo Contursi,Câmara Municipal/Divulgação
Vereadora Mônica Leal (PP)Foto: Leonardo Contursi,Câmara Municipal / Divulgação
Entrevista - Mônica Leal, vereadora pelo PP e autora do projeto de lei que impede homenagens a subversivos em bens públicos de Porto Alegre.
Por que a senhora entrou com um projeto que é um contraponto ao do seu colega Carlos Comassetto?
Mônica Leal -
 Em 2014, a Câmara aprovou a alteração do nome da antiga Avenida Castelo Branco para Avenida da Legalidade e da Democracia. O meu posicionamento foi contrário a essa proposição. O objetivo é reabrir a discussão política sobre o período em que o Brasil foi governado por militares. Eu entendo que os fatos históricos não podem ser apagados da memória nacional ou simplesmente alijados da biografia da nossa Capital. Eu conversei com o Comassetto, vi que não seria feliz em nenhum dos meus argumentos, então entrei com um projeto que é um contraponto ao projeto dele. Porque, na minha opinião, estão fazendo uma caça às bruxas. A Comissão da Verdade, na minha opinião também, só tratou de um lado. O movimento contrário à ditadura foi armado, houve o caso aquele do tenente Alberto Mendes Junior, que foi assassinado de forma brutal.
Quais são os nomes desses subversivos?
Mônica -
 Che Guevara, que para alguns é um herói, para mim não passa de um assassino. Carlos Lamarca, Luiz Carlos Prestes, Carlos Marighella. Tem alguns nomes que, se fores pegar a biografia, vais ver que não tem por que serem homenageados em ruas, praças. É uma coerência. Se o Comassetto entrou com esse projeto de terra arrasada, que quer retirar tudo, são 377 nomes, então, tá. Vamos também retirar os nomes de pessoas condenadas por subversão à ordem pública ou que participaram de organizações terroristas.
A senhora não concorda que integrantes do período militar se envolveram em torturas, como apontou a CNV?
Mônica -
 Não concordo com qualquer tipo de tortura. Concordo com a intervenção cívico-militar porque, à época, o país estava um caos. Acho que a comissão foi para um lado. Pelo que eu sei, há fatos ali que não estão fechando com a verdade.
Teria que haver uma comissão para investigar os guerrilheiros, também?
Mônica -
 Teria que fazer para os dois lados. Eu quero saber como foi esse movimento armado da época, sobre o qual nada foi falado. Só comissão da verdade para os militares, o que é isso? Sabe, eu sou muito responsável com o que eu falo. Por ser filha de militar (o coronel do Exército, ex-deputado estadual e ex-vereador Pedro Américo Leal), essa coisa sempre pega, né. Ah, ela é filha de um coronel que viveu na época. Eu sempre fui totalmente contra qualquer tipo de tortura, no passado ou no presente. Que fique bem claro.
Há a proximidade com o seu pai, que é militar.
Mônica -
 Eu tenho muito orgulho de ser filha de militar. Sempre digo que a minha rígida criação colaborou muito para que eu tenha um perfil de cumpridora da lei, de lealdade, de amor à pátria, de civismo. É bom registrar que meu pai e eu fomos completamente contra a tortura sempre. Na questão de 1964, o Exército nada mais fez do que dar o aval para uma vontade da sociedade. Eu era muito pequena na época, mas o que aconteceu foi isso.
A CNV encontrou alguns indícios de que houve tortura envolvendo essas pessoas que estão na sua lista. A senhora concorda que pode haver alguns militares que tenham culpa?
Mônica -
 Eu não posso discutir sobre provas. Eu passo para a questão da história porque eu não vejo como vamos mudar a história do Brasil. Então agora o PT quer reescrever a história do Brasil? Isso faz parte da nossa memória. Não pode simplesmente tirar monumentos, mudar nomes de ruas. Um exemplo disso é Getúlio Vargas. Concordem ou não, foram figuras emblemáticas, que construíram parte da história do Brasil.
Na época da queda do Muro de Berlim, os soviéticos deixavam os países ocupados, que então começaram a derrubar estátuas de Lênin. Isso também lhe parece querer esconder a história?
Mônica -
 Esconder ninguém pode, ela sempre vai estar presente na memória. Eu não concordo com esse pensamento de querer apagar a história. É importante termos essa memória. O que não significa que se concorde com qualquer tipo de ditadura, de tortura. Eu não concordo com alterações. Acho que isso faz parte da vida dos brasileiros.
A senhora acha errado que os romenos, por exemplo, tenham derrubado estátuas de Lênin na década de 1990?
Mônica -
 Eu vou falar na minha aldeia. Eu não sou historiadora nem nada. A minha aldeia é Porto Alegre. Eu penso que a retirada do nome Avenida Castelo Branco, por exemplo, não foi benéfica em termos de memória, história e praticidade. Não quero entrar na esfera de outros lugares.

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