sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O hábito em nós

Participei de um interessante painel que tem como proposta debater questões vitais para a saúde do ser humano. A pauta foi sobre algo que conduz a vida da maioria das pessoas, mas que ninguém pensa: o hábito. Ao mesmo tempo em que fiquei encantada com as colocações de especialistas da área da mente humana, fiquei também assustada com minhas conclusões por conta das reflexões que fui obrigada a fazer. Quero compartilhar parte disso com vocês que acompanham meu blog e já adianto que tomei as teorias que ouvi sobre os hábitos como uma grande descoberta.

O hábito se origina do ambiente que nos cerca, do fato de fazer a mesma coisa da mesma maneira ou de formular o mesmo pensamento. O hábito se assemelha a um bloco de cimento que endureceu no molde: é difícil de quebrar. 

Foi amplamente debatida a dificuldade que as pessoas tem de modificar o curso das coisas, mesmo que no seu íntimo saibam que estarão abdicando de viver a vida na sua plenitude. Um exemplo que foi falado é que se pessoas tiverem de seguir por um campo ou atravessar uma floresta, escolherão o atalho que já está aberto, em vez de seguir por alguma outra trilha, que, na verdade, significa um novo caminho. Não há como sair indiferente depois de refletir e debater uma questão que está tão próxima, tão dentro de todos nós.  

Ficou claro a importância de escolher com cuidado o nosso ambiente  porque é nesse território que se extrai o alimento para o espírito.É o ambiente que  influência as decisões e atitudes que as pessoas tomam na sua vida.Isso me faz lembrar algo que meu pai sempre fala quando alguém  nos surpreende: “ o hábito pode se tornar um tirano e dominar o homem  e o levar a agir contra a sua própria vontade”.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Aos amigos do Evandro!

O Evandro, que trabalhou comigo na campanha para deputada estadual, atualmente me faz uma assessoria voluntária, por puro gosto de querer ajudar nas demandas políticas que ainda tenho que cumprir, como eventos que havia confirmado presença, entrevistas nas rádios, reuniões e palestras que prometi participar. Pois então, dia desses, enquanto ele guardava na garagem da minha casa os aparelhos de som que foram usados nos carros com o meu jingle, contou algo que me pegou de surpresa. Não é que ele foi a uma reunião de amigos dele e lá as pessoas disseram que acompanham o meu blog, que gostam das postagens pela variedade e pelo jeito simples e direto que escrevo sobre política, mas que curtem mesmo quando conto algo mais pessoal. 

Essas pessoas fizeram o Evandro prometer que me daria o seguinte recado: "queremos mais textos com fotos sobre a vida pessoal dela”. Então, em respeito a esses queridos leitores e como um sinal que vou acatar a solicitação, aqui vai uma foto da minha família a rigor. Essa data foi muito especial, o casamento do Marcelo. Pena que estão faltando o James meu genro, a Fernanda e a Duda minhas noras e, claro, as pequenas Martina e Marcela, que nem haviam nascido ainda. Prometo que vou continuar mexendo nos arquivos familiares. 



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Intervalos inevitáveis

Preciso informar a todos que acompanham meu blog, as pessoas que encontrei em eventos e que estão aguardando as postagens e fotos que prometi, que, devido a agenda cheia que estou cumprindo, às vezes não dá tempo de postar tudo na ordem ou imediatamente após os acontecimentos. Se acharam estranho eu estar tão ocupada após uma eleição onde não me elegi, saibam que a vida política é uma causa e quem a escolheu, ou foi escolhido por ela, não importa se está no parlamento, no executivo ou na comunicação, está para sempre comprometido e sem chance de dar férias para as reuniões e compromissos, para as articulações, acompanhamento constante do cenário político e para os novos projetos. E sinto que quanto mais me comprometo com o que realmente acredito fico ainda mais ocupada, pois junto chegam convites, análises de propostas, encontros de discussão, momentos de decisão, que exigem a minha presença (de corpo e alma), a minha disponibilidade e a minha atuação.
Então, de vez em quando, tenho que guardar meus textos e informações por uns dias, mas saibam que nunca é por descaso ou esquecimento. Aguardem que em breve um novo assunto estará postado.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Emoção e reconhecimento

Foi com muito orgulho que recebi das mãos da senhora Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Rorato Crusius, a “Medalha Flores da Cunha”. A cerimônia aconteceu no Salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini. O local foi preparado para o evento e estava lindo, além de muito bem organizado. A honraria mexeu comigo muito além do que pensei e olha que não sou marinheira de primeira viagem, pois já recebi homenagens tão distintas como a de hoje e guardo todas com muita devoção. Cheguei em casa e fiquei pensando sobre esse fato e o motivo de ser surpreendida pela emoção. Será que estou ficando mais derretida? Não, acho que não é isso. Confesso a vocês que o recebimento da medalha me fez voltar no tempo, pois revivi as inúmeras dificuldades enfrentadas na Cultura.

 Quando eu me lembro daquele orçamento baixíssimo e tantas frentes para atender, da falta de infra-estrutura, da necessidade de mais funcionários para dar conta das demandas; que eram colossais; e vindas de todas as instituições, da urgência de automatizar a Lei de Incentivo a Cultura para trazer mais segurança e agilidade ao sistema. Minha nossa, como eu lutei por isso tudo e como foi sofrido todo esse processo. Quando eu soube que receberia essa homenagem, estava com o meu pai, que ficou feliz da vida e logo falou que estaria presente na cerimônia.Tentei demovê-lo dessa ideia, pois sabia que o evento seria longo, visto que haveria mais homenageados, porém foram em vão os meus argumentos. 

Quando foi anunciado o meu nome para receber a medalha de destaque por excepcional atuação no campo da Gestão Pública, no percurso que fiz até o espaço junto ao púlpito, onde a governadora aguardava para fazer a entrega, pude sentir a força das palmas de uma platéia que lotou o Salão Negrinho do Pastoreio. Na primeira fila estava Pedro Américo Leal, meu pai, meu professor e inspirador que instilou em mim uma percepção do dever público que jamais abandonarei em qualquer dos meus dias como política, que reforçou minhas crenças, já fortes, sobre lealdade, trabalho duro e comprometimento, virtudes essenciais para esse oficio. Ao me abraçar, a Governadora Yeda falou:“ Seu nome ficará na história do Rio Grande do Sul”. No caminho de volta ao meu lugar, parei e mostrei a medalha ao meu pai, que, exultante de orgulho e alegria falou: "O Rio Grande do Sul precisa da tua cadência firme e resoluta na marcha, és como um soldado que cumpre a missão”.

Muito dos meus ex-funcionários da Cultura estavam lá e fiquei muito contente com essa manifestação afetuosa.Conversamos, rimos e tiramos muitas fotos. Foi bom demais esse contato com as pessoas que agora fazem parte da história da minha vida. Meus filhos e meu marido acompanharam a cerimônia com declarado entusiasmo e esse foi o momento  que aproveitei para agradecer a compreensão que tiveram pela minha ausência nesse tempo em que me dediquei de corpo e alma para a Cultura do Rio Grande do Sul. Estou muito feliz! A sensação é de dever cumprido e isso para mim vale mais que a vitória nas urnas. Leal ao Rio Grande sempre!
Com  meu pai que estava emocionado com a entrega da “Medalha Flores da Cunha”
Com meu marido que entusiasmado acompanhou a cerimônia
O Salão Negrinho do Pastoreio estava lotado
Uma panorâmica do Salão Negrinho do Pastoreio
Agradecendo as manifestações afetuosas
Conversando com as pessoas
Meu pai e eu com o Secretário da Fazenda, Ricardo Englert e sua família
Exibindo com orgulho a minha medalha
Conversando com o Dr.Scliar
Com o diretor da Casa de Cultura Mário Quintana, Luiz Armando Capra, que também recebeu medalha
O pronunciamento da Governadora Yeda

sábado, 4 de dezembro de 2010

Não se faz cultura sem estrutura

Já aviso que não sou uma pessoa de viver do passado, muito pelo contrário, minha natureza alegre e positiva curte intensamente o presente. Porém, nessa semana aconteceu algo muito importante na área cultural e quero dizer para vocês que tenho orgulho de ter sido responsável por esse feito. No auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari com a presença da Governadora Yeda e muitas autoridades, ocorreu a cerimônia de assinatura do decreto que cria o Sistema Unificado de Fomento às Atividades Culturais do estado. Essa foi uma causa que me dediquei de corpo e alma quando Secretária da Cultura.

O resultado se concretizou agora, mas retrata parte de todo o processo que comandei no período que estive a frente da Secretaria de Estado da Cultura. Creio que disso tudo ficou a marca indelével do choque de gestão que implementei na SEDAC. Tivemos, assim, o fortalecimento da Secretaria através do saneamento de suas finanças, em especial da LIC. Os investimentos culturais não acontecem se o caixa estiver deficitário, como na época encontrei. Implementei medidas saneadoras e deixei a Secretaria em condições de incrementar políticas culturais, com encaminhamentos imprescindíveis como o concurso público, que foi feito este ano e que está mudando o quadro defasado de funcionários que essa pasta sempre teve, já que o último concurso foi em 1991. Eu passei a experiência de ter tido poucos funcionários e de ter que preencher funções técnicas com os cargos destinados às chefias, os chamados Cargos de Comissão, razão pela qual alguns Diretores de Departamentos acumularam com a Direção de Instituições vinculadas aos mesmos.

Olhando para trás, percebo que valeu a pena ter trabalhado quase além das minhas forças na secretaria e com um orçamento baixíssimo, pois a Cultura é a que detém o menor orçamento. Na minha gestão eu comecei, antes de tudo, com investimentos na base do funcionamento da pasta e das instituições. Não se faz política cultural sem ter uma infra-estrutura consistente e sólida.  


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Histórias de vida

Nenhum lugar do mundo é tão estranho como a sala de espera do bloco cirúrgico de um hospital. Falo isso, porque nessa sexta-feira, estive por algumas horas, nesse local para retirar apenas um pequeno cisto benigno localizado atrás da orelha. Mesmo não sendo no rosto, fiz o procedimento com um cirurgião plástico, que é para não ficar com cicatriz. Pode parecer bobagem esta preocupação, visto que não apareceria, mas sou uma mulher detalhista. Foi tudo muito rápido. Entre anestesia local e três pontinhos, deve ter durado trinta minutos e saí feliz da vida como se tivesse cumprido a minha maior missão dos últimos tempos, isso porque tenho horror a coisas por fazer e essa foi uma das que fui adiando em função da campanha eleitoral. Aliás, estou adorando essa fase de ter tempo para cuidar de mim e quero aproveitá-la ao máximo, pois sei que ela tem dias contados. É que recebi uma proposta maravilhosa de trabalho, mas ainda não posso contar, falta ajustar alguns detalhes, então, vocês terão que aguardar um pouquinho e administrar a curiosidade.

Voltando ao ponto inicial, que é o que interessa,esse espaço onde estive foi no Hospital Moinhos de Vento, e é especialmente preparado, com muito capricho, para acomodar pacientes mulheres que farão pequenas ou grandes cirurgias. Quando cheguei, observei que havia três mulheres sentadas em confortáveis poltronas, quietas olhando para uma tv que exibia desenho infantil. Logo calculei que a mente delas não estava ali e sim muito longe, talvez apreensivas com a cirurgia. Não sei, mas achei que pairava no ar uma velada preocupação e senti vontade de mudar aquilo, transformar a espera em algo mais leve, divertido e produtivo para todas nós. Resolvi puxar conversa com a mais moça das mulheres e foi o que bastou para que todas as outras falassem sem parar e o ambiente se tornasse uma sala de bate papo. A senhora mais velha abriu os olhos, que até então estavam fechados, e o semblante preocupado foi substituído pela alegria de livrar-se daquele silêncio. Ela contou que morava sozinha e tinha quatro filhos, mas um havia falecido muito jovem num acidente de carro e que os outros três moravam em cidades diferentes, porém naquele momento tinha um lhe acompanhando. Disse que tinha dormido mal por causa da sua cirurgia e que queria muito ter uma recuperação fácil, porque não contava com ninguém para cuidá-la. A moça mais jovem perguntou se ela não tinha noras, ao que respondeu de sopetão: ”as noras de hoje em dia, não duram o tempo suficiente para conhecer a sogra, o que dirá cuidá-las”. Ela tinha feito um desabafo da solidão que sentia. A outra moça concluiu que era um problema ter só filhos homens. Disse que tinha um filhinho de dois anos e queria muito ter  mais duas meninas para ser cuidada na velhice. Essa frase trouxe á minha lembrança o meu pai e do orgulho que tem em ter cinco filhas mulheres. Lembrei de quando alguém dizia que filha mulher era gasto dobrado e ele respondia que ”vale o investimento, pois serei cinco vezes mais bem cuidado na minha velhice”. 

Uma das moças é de Santa Catarina e perguntei se conhecia Porto Alegre, e ela disse que só o aeroporto, o Hospital Moinhos de Vento e o Hotel que ficava quando vinha para a capital.Foram  três cirurgias e ela fez um relato impressionante dos últimos quatro anos, desde quando descobriu um problema no quadril que causava fortes dores e a impedia de caminhar. Ela tinha falado que era professora de educação física, então, não podia mais dar aulas de ginástica.Me dei conta e fiquei imaginando o custo emocional que deve ser para uma pessoa abdicar da sua profissão.Olhei para aquele rosto muito jovem e vi que havia no olhar o brilho da esperança da conquista da cura naquela cirurgia que se aproximava. Ela queria ter uma vida normal, caminhar e engravidar. Tão pouco era muito para aquela jovem. Falou que, de tudo, o que mais a incomodava era usar muletas logo após as cirurgias. Fez planos e contagiou a todas nós.Pensei na minha filha Juliana, que tem a mesma idade dessa moça, na sua felicidade por ser mãe da Martina e na sua realização profissional com a carreira de Procuradora da União. Recordei da minha nora Fernanda e sua satisfação em cuidar da Marcela recém nascida. Agradeci a Deus por isso.

Falávamos que nem umas matracas quando apontou na porta a enfermeira para buscar a moça de Santa Catarina.Tinha chegado a hora da cirurgia dela e seria longa, depois, quase um dia na recuperação, mais outros no quarto e finalmente viajaria de volta para a sua cidade. Desejei mais que sucesso na cirurgia dela, falei que tinha sido muito bom conhecê-la, que jamais esqueceria a bravura dela. Às 12h, eu já estava em casa com um pequeno curativo que nem aparecia e lembrei que a jovem catarinense teria que sair do hospital de muletas. Durante a tarde trabalhei normalmente, mas confesso que aquelas horas na sala de espera do bloco cirúrgico mexeram demais comigo e não saíam do meu pensamento.O que ficou para mim é que somos pequenos diante da grandeza da vida e nessa circunstâncias, todos são iguais, não existe distinção alguma. Medos e sonhos, balanços e reflexões são sentimentos que predominam e são compartilhados nesse momento de espera e expectativa. Escutei relatos de vida de pessoas que eram estranhas, que ali se tornaram próximas e agora me pego pensando nelas, torcendo por cada uma delas. Há pouco liguei para o Hospital Moinhos de Vento em busca de notícias e fiquei feliz ao saber que todas estão bem.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Homenagem às mulheres na política

A  Mulher Progressista Estadual, que tem como presidente a Ana Regina Gorski, promoveu um bonito evento em homenagem às quinze lideranças femininas progressistas que foram candidatas nas eleições de 2010, entregando o troféu "Parceria e Comprometimento Partidário”.O jantar foi no restaurante Santíssimo no bairro Cidade Baixa. Nunca tinha ido nesse local e confesso que achei muito diferente, começando pela decoração, que tem imagens de santas enfeitando as prateleiras de um armário, estilo oratório. As mesas são de madeira antiga e a iluminação é suave, tornando o ambiente muito acolhedor.

Não sei dizer ao certo quantas pessoas compareceram, mas estava completamente lotado, consagrando o sucesso do empenho das organizadoras. Silvana Covatti foi a única deputada mulher eleita pelo Partido Progressista e a mais votada de todos os partidos no Rio Grande do Sul. Ana Amélia Lemos foi a primeira mulher Senadora do PP no Brasil. As duas falaram muito bem e mesmo sem combinar, tiveram completa sintonia nas colocações sobre as dificuldades que as mulheres enfrentam numa campanha eleitoral. O evento foi bem animado e o motivo era festivo, porque exaltava a bravura de cada uma de nós que nos lançamos nas últimas eleições e é sempre importante nos reunirmos em torno disso. 

Mas, mais uma vez, não pude deixar de reforçar meu sentimento de que é muito dura mesmo a caminhada das mulheres na política, visto que das quatorze candidatas progressistas à deputada estadual e federal nesse pleito, apenas uma elegeu-se para a Assembléia Legislativa.
Ana Amélia Lemos e Silvana Covatti: duas mulheres progressistas vitoriosas nas urnas de 2010
Chegando no jantar acompanhada do meu filho Felipe
Recebendo o troféu das mãos da Vereadora de Bagé e Coordenadora da Mulher Progressista da região Sudoeste Sônia Leite
Com Gilda, Felipe, Evandro e Lise que foram prestigiar as homenageadas
Pedro Bertolucci, Presidente do Partido Progressista, Glaci Turra e Ana Amélia Lemos
As gurias do cerimonial Thais e Rochele que conduziram o evento com maestria
Um click surpresa enquanto eu falava com as mulheres