quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho


Era quarta-feira à noite, quando terminei de ler o histórico  do Colégio Bom Conselho e da Associação de seus ex-alunos, senti-me transportada para aquele longínquo ano de 1900, quando tudo começou.
Em Porto Alegre, apesar do aumento da população e da conseqüente expansão da cidade, suas atividades essenciais se concentravam no centro que deu origem. Ali ficava, numa esquina da antiga Rua do Rosário, o Colégio Nossa Senhora dos Anjos, mantido pelas Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã.
Dedicadas ao ensino, as Irmãs logo perceberam a necessidade de implantar uma escola no bairro Moinhos de Vento, já bem populoso e essencialmente residencial. Alugaram uma casa e ali começou a funcionar a Escolhinha do Bairro Moinhos de Vento, atendida por três irmãs e uma auxiliar que, diariamente, faziam o trajeto, desde o centro, em bonde puxado por cavalos.
Pouco tempo depois, o aumento do número de alunas comprovava o sucesso da iniciativa, e a casa já estava pequena.
Foi quando a Superiora Geral, Madre Ludmila Birkmann, num lance de grande visão, adquiriu um terreno muito bem localizado, e determinou a imediata construção de um prédio destinado a abrigar a escola e a residência das Irmãs.
Em junho de 1905, naquele bairro que concentrava numerosa população de origem germânica, o novo prédio abrigava três classes de ensino fundamental, na língua alemã e duas de ensino em português, ministradas pelas sete Irmãs que compunham a comunidade religiosa.
No dia 21 de junho de 1905, foi celebrada a primeira missa na capela instalada provisoriamente, e essa data ficou marcada como a de fundação da nova escola, o Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho.
No mês seguinte, o curso de formação de professoras primárias que funcionava no Colégio Nossa Senhora dos Anjos, foi transferido para lá, e durante dez anos deu importante contribuição à sociedade, formando alunas mestras para o magistério gaúcho.
A partir daí, os números foram sempre crescentes.
A freqüência de alunas duplicava a cada ano, e o colégio recebia também alunas do interior do Estado, em regime de internato.
Em 1927, as irmãs implantaram o Curso Ginasial, um pioneirismo para o Bom Conselho, que se tornou o primeiro ginásio feminino do Brasil.
Houve outras iniciativas marcantes na época, como a instalação de um curso comercial, nos anos 30, por inspiração da Madre Benícia, que então dirigia o colégio com mentalidade bastante avançada e olhos postos no futuro.
Dezenas de moças, datilógrafas e estenografas, foram preparadas para o mercado de trabalho que, timidamente, começava a se abrir para as mulheres.
Em 1944, um decreto autorizava a abertura do segundo ciclo, com cursos Clássico e Cientifico, habilitando alunas para o acesso à universidade.
Foi um crescimento lento e seguro, na qualidade e no espaço físico, desde os tempos da modesta escolhinha até o Bom Conselho que conhecemos nos dias de hoje: sólido, altaneiro, plantado naquela colina do bairro Moinhos de Vento.
À medida em que fui lendo a história do meu colégio, a vontade que tive foi me transportar para a hora do recreio e reunir-me, no pátio, com as minhas colegas de turma.
Pensei até em ligar para elas, mas a madrugada já ia alta.
Com o coração a galope e a mente em ebulição, pus de lado as folhas do histórico e me aninhei para dormir.
Ah! Doce engano!
As lembranças, os nomes, as pessoas e as ideias ocupavam a minha mente com tanta intensidade que eu tinha apenas um desejo: o de rever aqueles que fizeram parte da história da minha vida e dizer: mais de trinta anos se passaram do tempo em que estudei no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, mas está tudo tão presente, tão vivo, que fecho os olhos e recordo as aulas de bordado, piano, violão, inglês, Francês e arte culinária.
Durante anos, embalada por uma educação tradicional, acreditei que o mundo inteiro estava dentro dos muros altos de um colégio exclusivamente feminino e dirigido por Freiras Franciscanas.Foram elas que imprimiram em mim o hábito de rezar e freqüentar a missa aos domingos, em continuação aos ensinamentos que recebia de minha mãe, católica praticante.
Nas salas de aula, a regra de ouro era não sair da linha.
A disciplina era forte, normal, para quem, como eu, era filha de militar.E ali ficávamos sérias e compenetradas, aguardando com paciência, quase ansiosas, um momento que era o ponto alto de cada jornada: a hora da saída.
Na calçada fronteira ao portão, em baixo do Edifício Esplanada, na frente do Joe`s, havia sempre dezenas de rapazes do Colégio Rosário, figurinhas diárias que vinham conferir o desfile das alunas.
Matar o último período de aula era o máximo da travessura que fazíamos.Mas era uma manobra arriscada. Quando descoberta pela Madre Superiora, que mandava averiguar quem havia saído de aula, lá ia um bilhete para os pais, informando a subversão.
Os pais tinham que assinar o recebimento, caso contrário, as alunas eram suspensas, até apresentação do bilhete devidamente assinado.
O tempo passou e hoje, acompanhando as mudanças da sociedade, o Bom Conselho deixou de ser um Colégio exclusivamente feminino e abriga meninos e meninas nas classes de Educação Infantil e de Ensino Fundamental e Médio.
Ao terminar esta leitura do histórico do Colégio, pude perceber a importância marcante que teve na minha formação e acredito que o mesmo acontece com cada um de seus ex-alunos.
Ali aprendemos o significado de uma boa educação, da solidariedade e do respeito ao próximo.
Tenho certeza de que meu rigor profissional e a visão de que os amigos são o meu maior patrimônio, tudo isso regado com muita saudade, foi cultivado nos bancos das salas de aula do Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho.
Queridas irmãs, professoras, colegas, afirmo aqui a minha profunda gratidão por tudo o que me proporcionaram e pelas boas lembranças que hoje, especialmente, tomaram conta de minhas emoções. Obrigada.


Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho



Crédito da foto: Jornal Porto Alegre

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Reunião com o Prefeito da Capital


Nesta quarta-feira, eu participei de uma reunião com o Prefeito de Porto Alegre. Entre uma conversa e outra sobre política, o Fortunati aproveitou para mostrar  projetos que os secretários municipais estão fazendo nas comunidades mais carentes da cidade. Confesso que fiquei bem impressionada com a quantidade de ações desenvolvidas nas áreas da educação e cultura.Foi uma reunião muito produtiva e saí de lá super animada.









Ivo Gonçalves
Repórter Fotográfico - Gabinete do Prefeito
Assessoria de Comunicação Social - PMPA


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Respeito e cuidado

O meu feriado foi em casa, organizando minhas coisas. Aliás, eu gosto demais de ficar no meu canto comigo mesma.
Acordei cedo como de costume e preparei o café da manhã que foi acompanhado de pão torrado na hora e um mel delicioso. Por sinal, o mel é a única guloseima que repito sempre e, se por acaso vier a faltar, por esquecimento, ou porque não encontrei a marca de que estou acostumada, é certo que o meu café não tem o mesmo sabor.
Hoje eu não escutei rádio, pois preferi desfrutar do silêncio que imperava na casa. Não quis escutar nem ler nada sobre as especulações do acidente do Chicão. Penso na dor da perda dos familiares.
Na minha visão de jornalista, uma tragédia desse porte é noticia com manchete de capa de jornal, mas não pode virar capítulos de novela. Fazer render a desgraça para conquistar leitores é no mínimo desumano. Ninguém tem o direito de invadir os sentimentos das pessoas  e muito menos de cobrar a intensidade de suas manifestações. Cada um exterioriza conforme  sua natureza, o que não quer dizer que sente mais ou menos do que esse ou aquele.
E não adianta vir com aquele discurso de que é uma pessoa pública. Ora e daí?
Político tem familiares com coração e alma, pais idosos com saúde frágil, filhos pequenos em desenvolvimento, adolescentes em fases difíceis.  
É preciso respeitar o luto da partida!
É uma dor sentida!
Acho que as pessoas perderam a real noção de ética pessoal, que começa em não ser demais nunca.
Talvez porque minha regra de ouro é jamais fazer aos outros aquilo que eu não gostaria que me fizessem, e isso vale também para pequenas atitudes, é que  não consigo aceitar essa situação. Ninguém, nem mesmo um polpudo salário, um patrocínio, ou as luzes na mídia, seria capaz de mudar as minhas convicções.
Eu que estava longe da cidade de Santiago, pela qual tenho um carinho muito especial e da qual gostaria de estar perto quando da perda de seu filho querido, prestei a minha homenagem aqui na capital, indo a missa e rezando por ele e sua família.
Voltando ao meu relato desse feriado de 15 de novembro: depois de tomar  meu café e ter me espreguiçado no sofá da sala, abri as janelas na esperança de deixar entrar uns raios de sol, mas havia só nuvens no céu.
O dia foi cinzento e meio friozinho, bom para colocar abrigo e meias com pantufas.
No final da manhã, fui para o jardim conferir o serviço do jardineiro, que esteve aqui ontem o dia todo e ficou sob os cuidados da competente Gilda, pois eu passei na rua trabalhando. Ficou lindo! O cenário está colorido pelas azaléias e perfumado pelo jasmineiro. Eu adoro flores!
Na frente da janela do escritório tem um pinheiro que é meu xodó. Quando compramos a casa e lá se vão vinte anos, eu plantei para poder enfeitá-lo com luzes de natal. Meus filhos curtiam isso!
Posso imaginar os olhinhos da Martina e da Marcela quando se depararem com o pinheiro iluminado. Agora ele está muito alto e cheio de galhos compridos. Os pássaros pousam e tenha sol ou nuvens, eles executam uma sinfonia espetacular. É uma cena que me encanta.
Acho que já devo ter dito para vocês que o escritório é o meu local preferido da casa. É tipo um santuário, com os meus guardados do passado e do presente, assim como livros, textos, computador e telefone para trabalhar. A vista é de uma natureza que faz bem para os olhos e tem o poder de me inspirar.
Hoje com o vento, os galhos das árvores passaram balançando e muitas folhas caíram no chão.
As poucas pessoas que andaram na calçada estavam vestindo roupas esportivas. Foi um dia muito calmo lá fora. Para combinar com o clima, coloquei um DVD do Andréia Bocceli.Sou fã dele!
Há pouco, a Juliana, o Marcelo e Felipe, ligaram dizendo que estão na estrada voltando da viagem. Isso me faz lembrar a minha mãe, que nos feriados e finais de semana, quando o telefone toca, diz que é o seu exército batendo em continência ao alto comando. Sim, é isso mesmo, meus pais criaram os sete filhos sob o rigor absoluto do cuidado com o outro, então, a nossa preocupação era deixá-los tranqüilos, o que se fazia com uma ligação telefônica, e foi daí que meus filhos herdaram o hábito: "Oi, cheguei bem”!


A passagem – Curto, Bonito e Sábio


 
Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
- E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
- Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.


" A vida na Terra é somente uma passagem...
No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes." 


"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiriual...
 Somos seres espirituais passando por uma experiência humana..."


Em tempo: Recebi esse conto da amiga Alice Prati, autora do livro SOS Monumento:causas e soluções. 
Achei muito lindo e quis compartilhar com vocês que me acompanham pelo blog.
Um bom feriado!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Rio de Janeiro - A Retomada de Três Territórios

Em menos de duas horas uma ocupação sem violência  pacificou as comunidades da Rocinha, Vidigal e da Chácara do Céu. Forças de segurança tomaram controle da maior favela do Rio de Janeiro. Desde 6h desse domingo, os três territórios voltaram ás mãos do Estado e do povo carioca. O dia ainda não tinha amanhecido quando os blindados da Marinha, com homens do Bope e fuzileiros navais, começaram a subir as favelas da Zona Sul com uma missão histórica.Eles superaram ladeiras encharcadas de óleo derramados pelos últimos bandidos, que não enfrentaram as forças de segurança.
Os moradores foram dormir preocupados e acordaram aliviados.
O povo brasileiro comemorou quando as bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro foram hasteadas.
A ação contou com 3 mil agentes, que mostraram para o que foram treinados
O Secretário de  Segurança, José Mariano Beltrane, disse que o trunfo da operação “Choque de Paz”  era a libertação da população do crime organizado.
O próximo passo é  instalar a ordem urbana e serviços básicos que ficará por conta dos governos estadual e municipal.

domingo, 13 de novembro de 2011

A morte de Chicão

Meu Deus, que tristeza essa tragédia que abalou a política do estado do Rio Grande do Sul. Hoje acordei com o toque do celular e era do Partido Progressista, avisando do falecimento do ex-prefeito de Santiago, o deputado Francisco Gorski. Muito, muito triste!
Um monte de imagens me vem na lembrança e penso nele, que estava no auge da sua vida política, no inicio de um mandato de deputado; penso na sua família e no povo de Santiago. Gostaria de poder ajudar.
Conheci o Chicão, como era chamado por todos, quando fui Secretária de Estado da Cultura, através das minhas idas àquela cidade, onde fiz muitos amigos queridos e pela qual tenho um carinho especial.
O Chicão foi fundador de um projeto social que logo me encantou chamado "Turno Oposto Criança Feliz”, que iniciou para atender sessenta alunos com ações pedagógicas e sócio culturais, mas tamanha foi sua boa acolhida e sucesso que, em 2003, tornou-se a  Escola Municipal de Turno Oposto Criança Feliz e hoje atende cerca de quinhentos alunos.
O que mais me impressionava no Chicão era sua preocupação com as pessoas carentes e sua história de vida, que foi de muita luta pelos santiaguenses. Depois de prefeito, tornou-se um deputado dedicado à mesma causa. Foi um político do seu povo!

sábado, 12 de novembro de 2011

Convites, agenda cheia e saudades...

 

Hoje, o meu post é um pedido de desculpas aos amigos queridos que nos últimos dias me convidaram para os seus eventos.
Recebi ligações, e-mails, torpedos e convites de aniversários e lançamentos de livros e adorei todos. Não fui a nenhum e sei que isso deve ter causado certa estranheza, pois se tem uma coisa que costumo fazer é prestigiar as pessoas nos seus momentos importantes. Mas, essa semana foi atípica na minha vida, foquei minha atenção 100% no trabalho e, quando me dava conta, o dia já tinha terminado. Eu trabalhei demais e me perdi no tempo. Errei eu sei, mas me prometi que isso nunca mais vai acontecer.  
Há pouco, fui me despedir da Martina, que vai passar o feriado em  Santa Maria na casa dos avós paternos.
A Marcela foi com os pais para Torres e eu, que pretendia matar a saudade dela lá, porque ia também, decidi ficar em Porto Alegre, então, só na semana que vem.
Pelo jeito, a capital nos próximos dias ficará tranquila e vou aproveitar para curtir as coisas boas que ela oferece, a começar pela parte cultural e gastronômica.