terça-feira, 6 de abril de 2010

Colegas comunicadores

Nos últimos dias à frente da Secretaria de Estado da Cultura, recebi muitas visitas de colegas e amigos comunicadores para entrevistas. O Silvio Lara, que é um conhecido radialista e atua na Rádio Esperança, me deu mais uma boa oportunidade de fazer uma retrospectiva dos meus três anos de trabalho pela Cultura Gaúcha.


Em entrevista com Silvio Lara.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Macela da minha infância

   Ganhei um presente maravilhoso! Uma grande quantidade de florzinhas de Macela. Elas foram colhidas no campo e tem um perfume delicioso. Eu adorei! A pessoa que me deu a lembrança, talvez não tenha ideia do quanto me fez feliz com as macelas. É que, além de ser um mimo afetuoso, o presente transportou-me para a minha infância, que foi recheada de momentos interessantes que valem a pena ser relembrados, e é isso que vou fazer agora: contar para vocês que acompanham o meu blog, mais uma das aventuras da minha grande e querida família.


   Na manhã das Sextas-Feiras Santas, meus pais nos levavam para colher a florzinha de macela. Eles acreditavam que elas tinham propriedades curativas especiais, então, era importante ter o chá de macela em casa. Era uma festa esse dia, pois íamos para a estrada de Viamão e lá passávamos horas nessa empreitada gostosa. Meu pai tinha uma kombi cinza e branca, totalmente remodelada na parte interna para levar os sete filhos.Os bancos, em vez de um atrás do outro como o normal, ladeavam a lataria do carro ficando um espaço no meio com uma mesa para jogarmos cartas, damas ou memória.Tinha também uma pia com armário no canto e não havia porta malas,todas as bagagens eram amarradas em cima do carro. Mais parecia um ônibus, que transportava aquela prole numerosa.

Compartilhando sentimentos

  Recebi um comentário da minha leitora querida, Moina Fairon Rech, a Vovó Moina, de Santa Cruz, com quem já troquei comentários e elogios, e a quem muito admiro por seu trabalho de divulgação do hábito da leitura e de seus próprios livros através do seu blog (vovomoina.blogspot.com). Faço questão de compartilhar:


Cara Mônica,

    Delicioso o relato das Páscoas de tua infância e juventude. Também estudei no Bom Conselho onde durante alguns anos, fui interna. Lembro bem, de quando, das janelas do colégio, (era proibido) conseguia espiar o Jardim Cristofel. Havia uma casa que sempre me fazia sonhar. Tinha janelas com os vidros em losangos que me transportavam à era dos Tudor ou algo parecido, não sei porque. Para mim, olhar para aquela rua era como abrir uma porta para um mundo encantado. Uniforme de gala e missa na capela... Coisas do passado cutucando o meu presente! Obrigada por compartilhar as boas lembranças.

Um abraço e Feliz Páscoa,
Moina

domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa, lembranças de Infância

Filhos de um militar e de uma dona de casa católica praticante, eu e meus irmãos, participávamos da intensa programação, confraternização e celebração pascal. Em todos esses momentos, o tema ressaltado era o da alegria da ressurreição. Meus dois irmãos, João Pedro e João Paulo, estudaram no Colégio Rosário e eu e as minhas irmãs, Cristina, Maria Inês, Martha, Ângela, estudamos no Colégio Bom Conselho. Assim, havia todo um preparo para essa data religiosa. Isso iniciava pela ida ao confessionário, pois, para comungar na missa, era necessário estar sem pecados. A capela do meu colégio era especialmente preparada para essa celebração. Lembro bem do coral composto por estudantes de todas as turmas, desde o primário, ginásio até o cientifico, normal e clássico.Todas nós vestíamos uniforme de gala, o que era motivo de grande animação. Saia pregueada azul marinho, camisa branca e gola quadrada grande, com bordas de uma grega azul escuro; na cabeça uma boina colorida conforme o curso, meias brancas até o joelho, sapato baixo estilo boneca com tira abotoando no meio do pé. Os cabelos deviam ser presos por um rabo de cavalo, uma tiara, ou, ainda, duas maria chiquinhas. Cara lavada e, no máximo, um perfume suave para não chamar atenção. A regra número um do colégio era discrição e boa conduta, seja na aparência ou nos modos. Falávamos baixo que era para não atrapalhar os mais velhos. Nossos acessórios básicos e necessários nessas datas eram um véu, um terço e o livro de orações. Era de costume as moças solteiras usarem um véu branco e as mulheres casadas um véu preto. As freiras vestiam vestimentas pesadas, fechadas e escuras, com somente o rosto e as mãos a descoberto. Com grandes rosários na cintura e uma cruz no pescoço, elas organizavam as celebrações religiosas com magnitude. Nós sabíamos todas as orações e canções de cor. Elas nos controlavam apenas com o olhar e ninguém se atrevia a dar um suspiro fora de hora. Dois padres celebravam a missa, o que mostrava a imponência daquela celebração. Havia muitas velas acessas e um certo cheiro de insenso - e recordo que uma vez eu desmaiei, acho que vem daí o horror que tenho de incenso, charutos e cachimbos. Nesse ano fui parar na enfermaria do colégio e perdi todo aquele acontecimento que para mim era o máximo. Saíamos da capela direto para a casa da minha avó Alice, mãe da minha mãe. Eu a adorava! Ela era uma mulher de educação refinada, culta, solidária e discreta. Usava o cabelo branco azulado preso por um coque meio fofo no meio da cabeça. Parecia uma figura da aristocracia, magra, alta, pele muito branca - linda, dona de olhos azuis brilhantes que eram emoldurados por um óculos delicado. Roupas sóbrias, sempre usando saias, camisas e casaquinhos. Na gola da camisa, um broche que era uma águia de ouro que no bico tinha uma pérola pendurada. De origem alemã, ficou viúva muito cedo do meu avô, joalheiro espanhol, dono da segunda joalheria de Porto Alegre: a Ibanez, que ficava na Galeria Chaves. Ela morava na Vila Jardim Cristofhel, esquina Avenida 24 de Outubro, onde há ainda três edificios que pertencem à família. Foi onde passei boa parte da minha infância e adolescência, só saindo daquele prédio para casar.A minha avó fazia um grande almoço de Páscoa, onde tinham as minhas sobremesas preferidas, que ainda são fios de ovos e manjar branco de côco. Coca-cola também podia tomar, sim, porque naquela época só era permitido beber refrigerantes em datas festivas. Mas, antes, todos os netos tinham que procurar seus ninhos e isso era uma grande folia que unia muito os primos. Nas cestas de vime com laços de fitas coloridos, muitos ovos de chocolate e a oração do Anjo da Guarda. Ah! Tinham também ninhos com batatas. É isso mesmo, uma batata cujo tamanho indicava o comportamento da pessoa. O meu ninho sempre vinha com uma batata e teve vezes que ela foi enorme...Conforme o meu pai, isso foi na época de adolescente, quando eu era meio contestadora. Na verdade, eu me rebelava um pouco contra as normas sobre sair à noite, onde as minhas amigas podiam e eu não, e, quando podia, era sempre escoltada pelos meus dois irmãos. Namorar, só os amigos deles. Ficava braba e debatia as regras impostas pelo meu pai, mas completamente em vão, porque eu acabava cumprindo à risca. Outra coisa que me lembro é que, a certa altura, minha vó deve ter ficado cansada e sem imaginação, pois o meu ninho estava sempre no mesmo lugar: dentro do forno do fogão. Com isso eu acabava ajudando meus irmãos a encontrarem seus ninhos. As crianças almoçavam separadas dos adultos e nisso estavam incluídos os jovens. Só frequentava a mesa grande os maiores de 18 anos. Depois do almoço era permitido descer até o jardins do edifício para brincar de esconde esconde, pegar ou de cabra-cega. O tempo passou, e veio a Páscoa dos meus filhos, que, enquanto eram crianças, viveram algo parecido com o que eu vivi, no mesmo molde, mas não tão religioso, porque sou casada com um homem que é judeu e, mesmo ele não tendo passado por este tipo de celebrações até nos conhecermos, eu, por respeito, achei por bem focar a data na confraternização da família.

sábado, 3 de abril de 2010

Galpão do Nico

No domingo, dia 28 de março, estive na Rádio Rural, no programa do Nico Fagundes, para falar das realizações da minha gestão frente à Secretaria de Estado da Cultura. Foi uma satisfação estar no Galpão do Nico, programa que mescla, de forma inteligente, entretenimento e informações do tradicionalismo. Participaram do programa também o poeta Nei Machado, o tradicionalista São Borja e Manoel Bica.

No estúdio da Rádio Rural com o Nico Fagundes.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Santo Antônio para sempre na minha vida!

Ainda como Secretária de Estado da Cultura, estive na cidade de Santo Antônio da Patrulha, que sediou um dos Seminários de Capacitação da LIC. Até aí tudo muito normal, porque fiz uma verdadeira caravana cultural por esse Estado a fora. Só que esse foi um evento diferente, recheado de fortes emoções, que tive que administrar para não me desmoronar em lágrimas na frente do expressivo público de diversos municípios que lá estava. Aliás, os últimos dias que antecederam minha saída do governo, sinto que exercitei intensamente meu equilíbrio emocional com as manifestações de afeto em público que recebi. Cheguei à conclusão que sou forte mesmo!
O protagonista desses momentos maravilhosos em Santo Antônio da Patrulha foi o Prefeito Daiçon Maciel da Silva, do PMDB. Ele, que iniciou sua fala destacando a importância da LIC e parabenizando a iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura, que, com o seminário, leva condições de uma democratização da utilização dos recursos para todos os municípios gaúchos, foi logo avisando que queria era falar da secretária Mônica, que admirava como mulher e política. Olha, o prefeito fez declarações de admiração e reconhecimento ao meu trabalho frente à cultura que, confesso a vocês, me pegaram tão de surpresa que não consigo lembrar da metade, a não ser que fiquei impressionada com as palavras daquele homem que representava a voz do povo e que foi muitíssimo aplaudido e ovacionado por todos que assistiam aquelas declarações. Destacou a minha responsabilidade com o uso do dinheiro público e o meu comprometimento com apoio e atenção que tive com as solicitações do município, com o qual acabei criando vínculos, a partir do tombamento da fonte imperial, da qual bebi a água - e reza a lenda que, quem bebe da fonte, volta sempre. O mais curioso é que ele disse que, na primeira vez que fui a Santo Antônio, eu comentei que gostava muito de mariola, e ele não esqueceu. Então, recebi de presente uma sacola delas. Outro fato que merece registro foi a declaração da representante da APAE, que pediu a palavra ao final do discurso do prefeito, quebrando o protocolo. Emocionada, agradeceu pelo aprimoramento do sistema LIC, virou-se na minha direção e falou: "em 10 anos de APAE, essa foi a primeira vez que a instituição conseguiu aprovar um projeto na LIC, e devemos isso ao seu jeito democrático de trabalhar a cultura. Jamais esqueceremos disso.”


Abrindo o evento com a sacola de mariolas que ganhei do prefeito, Daiçon Maciel da Silva.

O prefeito, Daiçon Maciel da Silva, realizando fala de abertura do seminário.

O assessor técnico, Rafael Balle, orientando os dirigentes e produtores culturais.


O Coordenador da LIC, Fábio Rosenfeld, explicando como funciona a tramitação de projetos culturais no sistema.


Os seminários da LIC tem como ingresso solidário a doação de um livro.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Queridos leitores que acompanham o meu blog!

recolhendo os meus pertences


Por determinação da lei eleitoral, ontem no final do dia, me afastei do governo, onde, por três anos e três meses, fui Secretária de Estado da Cultura.


Neste instrumento tão especial e direto de comunicação, cumpro, por esses dias, postagens sobre os últimos eventos e projetos da cultura que prestigiei na intensa e extensa agenda da Secretaria pela capital e pelo interior, lembrando as pessoas especiais que encontrei e os fatos que faço questão de relatar.


Novos desafios estão por vir na minha caminhada política e tenho que seguir em frente. Levo comigo a certeza da missão cumprida e o orgulho por tantas conquistas e realizações na pasta da Cultura, onde tive o compromisso de zelar pelo dinheiro público, de investir no patrimônio histórico e cultural da nossa terra, de oferecer acesso à cultura para as comunidades mais carentes e de apoiar os talentos gaúchos. Levo, também, no coração, a presença de todos os que me acompanharam e me incentivaram nessa experiência, pessoas que agora fazem parte da minha vida e do meu caminho. Muito obrigada.